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HISTÓRIA DA FALCOARIA
A falcoaria é a
ciência de adestrar aves de rapina, considerada por muitos uma
forma de arte, devido ao alto grau de sensibilidade e dedicação
exigidas para sua prática.
Seu local de
origem é incerto, porém, diversas teorias apontam a Ásia
Central, China e Pérsia como berço mais provável. Os registros
mais seguros sobre a idade da falcoaria são gravuras ilustrando
claramente um falcoeiro em atividade, encontradas no século
passado em ruínas na Mesopotâmia e datadas como sendo de 1700
a.C., contudo, registros mais antigos levam a crer na utilização
de falcões como presentes oferecidos a príncipes chineses
durante a dinastia Hia (provavelmente iniciada em 2205
a.C.).
O registro mais
antigo de sua presença na Europa está representado pela
ilustração de uma cena de caça aos patos, em um mosaico datado
de 500 d.C., localizado em Argos, na Grécia.
Uma vez na Europa,
bastaram 200 anos para que pudessem ser encontrados praticantes
da falcoaria entre pessoas de todas as castas sociais, dos
camponeses aos reis, para aqueles como forma de obter alimento e
para estes como uma forma de esporte e interação sócio-cultural.
Por volta de 750
d.C. os primeiros manuscritos ocidentais sobre o assunto
começaram a ser escritos, cabendo destacar a publicação de “De
Arte Venandi cum Avibus”, vasto tratado escrito por
Frederico II, imperador da Alemanha, em 1247. Pouco a pouco a
cultura européia foi revestindo a falcoaria de uma aura nobre,
associando sua prática à sofisticação e cultura superiores.
Dessa maneira, os reis e grãos-senhores interessados em
distinguir-se chegavam então a possuir dezenas de aves,
contratando um mestre falcoeiro para treiná-las e mantê-las
sempre em forma..
Neste período
foram publicados os primeiros éditos de proteção à fauna na
Europa, proibindo especificamente a caça, maus tratos ou apanha
de aves de rapina. O preço de falcões treinados atingia pequenas
fortunas e o roubo dessas aves era punido com a forca em algumas
regiões da Inglaterra..
Com a chegada das
grandes navegações, descobriu-se que a falcoaria florescera de
forma paralela no continente americano. Os primeiros relatos da
existência deste tipo de atividade nas Américas datam do século
XVI e foram feitos por Cortês, o famoso conquistador espanhol,
que descreveu a presença de falcões treinados mantidos pelo rei
asteca Montezuma, no México.
A partir de 1792,
com a fundação do High Ash Club, em Londres, na
Inglaterra, os entusiastas começaram a se organizar em clubes e
associações, dando início ao processo de modernização da prática
com a formação de aviários e intercâmbio de espécies, adoção de
novas tecnologias, uso de fichas de acompanhamento individual,
estudo e difusão das técnicas de treino utilizadas em outras
regiões, como Arábia, Espanha, Japão, etc.
A iniciativa
inglesa estimulou o surgimento de novos clubes em vários
continentes, auxiliando à prática da falcoaria a obter
regulamentações legais especificas, como ocorre hoje na maioria
dos países europeus, Estados Unidos, Canadá, Nova Zelândia,
México e Argentina, Brasil, entre outros, garantindo a
continuidade de sua prática até os nossos dias.
Fonte: ABFPAR -
Associação
Brasileira dos Falcoeiros e Preservação das Aves de Rapina
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