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O
DESCONHECIDO MENINO JESUS E OS ANIMAIS
enviado por Omar Molina
Este
relato se inicia quando um velho mago da Fenicia (hoje Líbano),amigo de
José, mandara ao menino Jesus o régio presente de uma ave-rei, de
plumagem cor de púrpura, com um rendilhado azul celeste, coroada por
magnífico penacho cor de ouro e aprisionada em bela gaiola de grades
banhadas a prata, porém, o menino, comprovando seu desprezo pelos bens
do mundo, numa exclamação de júbilo soltou a ave, sob a decepção dos
pais.
Qual o
futuro que a família de José poderia esperar para aquele menino bom,
belo, correto, mas sonhador, ingênuo, contraditório e fujão ?
Seus
familiares estranhavam seu excesso de boa fé e a indiferença diante dos
perigos. Jesus penetrava nos bosques, surpreendendo as feras nômades que
o fitavam inquietas e sem coragem de agredi-lo, ante a refulgência que
percebiam no seu campo astral.
Nunca o
menino Jesus usou de qualquer meio para matar um pássaro, destruir um
réptil, um inseto ou um batráquio. Viam-no costantemente curvar-se para
o solo e colher verme repelente na folha vegetal, para situá-lo fora dos
perigos do caminho. Ficava profundamente surpreso e comovido, sem
compreender a origem de sua culpa, quando ouvia severas admoestações de
Maria e José para que não arriscasse a sua vida inocente nos arvoredos
envelhecidos em que subia para proteger os ninhos perigosamente pensos
nos galhos rotos. Eram manifestações inúteis, pois tornavam a
encontrá-lo depois entre o esvoaçar festivo dos pássaros que lhe
arrancavam risos cristalinos e pareciam compreender o seu carinho para
com os seus filhotes implumes.
Nunca
se pôde matar qualquer ave ou animal na presença do menino Jesus. Esse
espetáculo doloroso deixava-o abatido e enfermo, sendo demorada a sua
volta para a vida comum. Nos brinquedos e folguedos costumeiros,
qualquer perversidade cometida contra os animais tornava-o subitamente
silencioso e com uma expressão de censura tão veemente no olhar, que
muitos dos seus companheiros chegavam a se atemorizar. Mais de uma mãe
chegou a dizer que o filho de Maria era “tocado” da cabeça.
Jesus,
desde pequenino, revelou profunda repugnância pela carne. Quando, sob
insistência, ele a experimentava, sempre sofria de choques anafiláticos
e as consequentes urticárias. A família foi tratando de evitar pouco a
pouco, substituindo o alimento. O astral demasiadamente instintivo e
inferior do animal produzia tremendo impacto na tessitura delicadíssima
do seu corpo etérico, desamornizando-lhe o sistema endócrino e
produzindo um quimismo tóxico que provocava febre por alguns dias devido
à queima necessárias das toxinas que invadiam o delicado organismo.
Jesus
terminou os seus dias avesso à alimentação carnívora. No seu símbolo de
ternura apostólica, ele parte um pedaço de pão e afirma:
“ Eis o
meu corpo”. Mesmo na hora em que ofereceu singela ceia os apóstolos e
que a tradição religiosa dramatizou para firmar mais um dogma, o Mestre
ainda se decide pelo pão em lugar da carne, deixando imorredoura lição
contra o péssimo hábito da ingestão de vísceras animais.
Ramatis – “Mensagens do Astral” – Editora Divino
Mestre - 1956
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